Quadros para Quartos no Brasil 2026

Estudo Porão dos Quadros · Maio 2026 · 14 min de leitura

Quadros para quartos no Brasil 2026

Análise dos 4 tipos de quarto (casal, solteiro, adolescente e infantil) com base no IBGE Censo 2022, em regras técnicas internacionais (regra 2/3), em estudos científicos sobre cor e sono (Travelodge UK 2013, Sleep Foundation) e nas normas ABNT.

100–120 cmquadro para cama Queen
7h52de sono em quarto azul
35,1%dos lares com 1 dormitório
70%das compras decididas por mulheres

Em síntese

O estudo em três parágrafos

O mercado de decoração de quartos no Brasil está fragmentado por perfil demográfico e necessidades específicas. Quartos de casal demandam quadros entre 100 e 120 cm, seguindo a regra 2/3 da cabeceira; quartos infantis exigem conformidade com a ABNT NBR 15860, com decorações posicionadas longe do berço.

Adolescentes (4,5 milhões de ARMYs de K-pop no Brasil, 6º país no mundo) preferem cores vibrantes e polaroids; quartos de solteiro são 35,1% dos domicílios brasileiros [IBGE Censo 2022].

Mulheres decidem 70% das compras de decoração no Brasil [Giuliana Flores 2023] e 49% dos domicílios têm mulher como pessoa de referência pela primeira vez [IBGE Censo 2022]. A janela pós-mudança de 90 dias concentra 72% dos gastos em móvel e decoração (até US$ 25 mil), mas faltam estudos brasileiros equivalentes.

Cinco conclusões principais

Leitura de 1 minuto

Proporção manda no quarto de casal

Um quarto de casal confortável precisa de 12 a 16 m², e o quadro deve ter de 100 a 120 cm de largura, seguindo a regra 2/3 da cabeceira (cama Queen de ~1,55 a 1,60 m).

A cor muda as horas de sono

Quartos azuis geram 7h52min de sono médio, contra 5h56min dos roxos, segundo o estudo Travelodge UK 2013 com 2.000 lares; verde, bege e branco também favorecem o repouso [Sleep Foundation].

Quarto infantil tem norma

Quadros e enfeites devem ficar na parede oposta ao berço, nunca acima dele, conforme a ABNT NBR 15860; o espaçamento entre grades é de no máximo 6 cm [Inmetro].

K-pop redefiniu o quarto adolescente

São 4,5 milhões de ARMYs (fãs de K-pop) no Brasil, o que posiciona o país como 6º no mundo e impulsiona a decoração com polaroids, pôsteres e cores vibrantes claras [Statista].

A decisão é feminina

Mulheres decidem 70% das compras de decoração no Brasil e são pessoa de referência em 49% dos domicílios pela primeira vez, ampliando o segmento de design personalizado [IBGE Censo 2022 e Giuliana Flores 2023].

Metodologia

Como este estudo foi feito

Estudo de mercado conduzido pelo time editorial do Porão dos Quadros entre 2023 e 2026, baseado exclusivamente em fontes públicas oficiais brasileiras e internacionais: IBGE, Travelodge UK, Sleep Foundation, ABNT, Inmetro, Statista, Giuliana Flores, IEMI, Harvard Business Review, Porch Group Media, DBM Group, NAHB e Propmark.

Todas as fontes estão citadas ao longo do texto ou listadas ao final. Não foi conduzida pesquisa primária com clientes para esta edição.

O panorama habitacional brasileiro: tamanho e fragmentação de quartos

Capítulo 01

Para compreender o mercado de quadros decorativos para quartos no Brasil, é essencial partir da realidade estrutural dos domicílios. O IBGE Censo 2022 revela uma distribuição heterogênea: apenas 0,2% dos domicílios possuem 1 cômodo, enquanto 44,4% têm entre 6 e 9 cômodos e 5,9% possuem 10 ou mais. A concentração maior está em residências com 5 cômodos (29,2%) e de 6 a 9 cômodos, indicando que a maior parte da população brasileira habita casas e apartamentos com espaço razoável.

Quanto à densidade de moradores por dormitório, o panorama é equilibrado: 35,1% dos domicílios têm apenas 1 dormitório, enquanto 53,9% possuem 1 a 2 dormitórios, caracterizando a população de casais sem filhos, solteiros e famílias reduzidas [IBGE Censo 2022]. Apenas 8,4% têm de 2 a 3 dormitórios por morador, e 2,6% vivem em densidade superior a 4 quartos por pessoa. Essa distribuição é crítica para a indústria de decoração: quartos de solteiro (35,1% do total) e de casal (presentes em praticamente todos os domicílios) dominam o mercado.

A política de habitação também influencia. O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) Fase 3 estabelece área mínima de 36 a 39 m² para casas completas com 2 dormitórios, indicando que o setor público brasileiro trabalha com dormitórios que variam entre 10 e 15 m² em média. A norma de código de obras municipais fixa mínimo de 6 m² por dormitório, um piso que comporta cama de solteiro com móvel básico, mas deixa pouco espaço para experimentação de design ou quadros de grande formato.

O domicílio brasileiro em números — IBGE Censo 2022
Métrica Dado IBGE 2022
Domicílios com 6 a 9 cômodos 44,4%
Domicílios com 1 dormitório 35,1%
Domicílios com 1 a 2 dormitórios 53,9%
Densidade de 2 a 3 moradores por dormitório 8,4%

Quarto de casal: proporção entre quadro e cabeceira

Capítulo 02

O quarto de casal é o segmento mais importante do mercado decorativo brasileiro. Um quarto de casal confortável, segundo padrões técnicos do mercado, deve ter entre 12 e 16 m² para acomodar adequadamente uma cama Queen (1,58 m × 1,98 m) com criados-mudos dos dois lados e circulação mínima. Esses dormitórios representam uma faixa significativa do mercado residencial, principalmente entre proprietários de imóveis novos ou reformadores que buscam conforto.

A regra técnica internacional 2/3 (também conhecida como regra de ouro do design) estabelece que a largura de um quadro deve ocupar entre 2/3 e 3/4 da largura do móvel imediatamente abaixo dele. Para uma cama Queen com cabeceira de aproximadamente 1,55 a 1,60 m de largura, o quadro ideal deve ter entre 100 e 120 cm de largura. Essa proporção evita que o quadro pareça flutuante ou desproporcional e cria harmonia visual no espaço.

Largura do quadro por tipo de cama — regra 2/3 a 3/4
Tipo de cama Largura da cabeceira Largura do quadro
Solteiro 0,90–1,00 m 60–75 cm
Queen 1,55–1,60 m 100–120 cm
King 1,80–2,00 m 120–150 cm

Além da largura, o posicionamento vertical é crítico. A distância recomendada entre o topo do móvel (cabeceira ou criado-mudo) e a base inferior do quadro deve ser de 6 a 10 cm, criando uma relação visual de espaço vivo acima da peça (tipicamente o dobro do espaço abaixo). Isso previne a sensação de compressão e facilita a limpeza da cabeceira. Essas proporções são baseadas em recomendações consolidadas de estúdios de design como Artfully Walls, Rossetti Art, Welsh Design Studio e Three Bears Home Staging, representando prática internacional consolidada.

Cor e qualidade de sono: a evidência científica

Capítulo 03

A escolha de cores em quartos não é puramente estética: impacta diretamente a qualidade do sono. O estudo mais citado na indústria é o Travelodge UK 2013, que analisou 2.000 lares britânicos e correlacionou a cor da parede com as horas de sono reportadas. Os resultados são claros:

  • Azul: 7h52min de sono médio (cor superior).
  • Amarelo, verde, prata e laranja: cores boas, acima de 7h em média.
  • Roxo: 5h56min (cor inferior).
  • Marrom e cinza-escuro: desempenho abaixo do ideal.

A Sleep Foundation, com respaldo do Dr. Michael Breus (American Board of Sleep Medicine), estende essa análise para cinco cores que favorecem o repouso: azul, verde, bege, branco e rosa-claro. A recomendação principal é evitar tons quentes de alta saturação (vermelho vivo, amarelo saturado), que estimulam o sistema nervoso central por ativação emocional associada ao alerta e à energia. Um estudo MDPI de 2025 confirmou que a luminosidade da cor afeta o sono via experiências emocionais: cores pálidas e dessaturadas reduzem a ativação emocional.

Para o segmento de quadros, essa evidência implica que peças com paleta azul, verde ou tons neutros (bege, off-white, cinza muito claro) alinham-se com as expectativas científicas de um ambiente restaurador. Quadros com vermelhos vibrantes ou laranjas quentes podem ter valor decorativo, mas são contraindicados como peças principais na parede de cabeceira de dormitórios principais.

Quarto infantil: segurança normativa e design neutro

Capítulo 04

O quarto infantil é o segmento mais regulado e, simultaneamente, mais dinâmico em termos de tendências. A segurança é não negociável: a norma ABNT NBR 15860 estabelece requisitos obrigatórios para berços infantis domésticos, complementada por regulação do Inmetro que fixa:

  • Espaçamento entre grades: máximo de 6 cm.
  • Densidade de colchão: máximo D18, espessura máxima de 12 cm.
  • Vão lateral (espaço entre colchão e grade): máximo de 2,5 cm.
  • Tinta: atóxica, sem chumbo.
  • Bordas e cantos: completamente arredondados.

Regra crítica para decoradores: quadros, molduras e qualquer item decorativo fixado em parede NUNCA devem estar posicionados acima do berço ou na parede frontal imediata. O correto é colocar decorações na parede oposta, garantindo que, em caso de queda de qualquer objeto (por vibração, imperfeição da parede ou desgaste de fixação), não haja risco à criança. Igualmente, berços devem estar afastados de janelas, luminárias penduradas e fios soltos.

Quanto às tendências de 2025 e 2026, o design infantil mudou significativamente para cores neutras sem gênero: bege, cinza suave, off-white, verde-menta, lavanda e azul-claro dominam. Essa mudança reflete tanto valores contemporâneos (flexibilidade de gênero) quanto ciclo de uso estendido (quartos que acompanham a criança dos 0 aos 8 ou 10 anos). Móveis evolutivos (berços conversíveis em cama infantil, cômodas que funcionam como trocador) ganham participação de mercado. Sustentabilidade é critério de compra: madeira certificada, bambu e fibras vegetais são preferidas ao MDF com acabamento sintético.

A personalização afetiva continua central: murais com o nome da criança, painéis de aventura (floresta, oceano, espaço) e quadros com temática de natureza (animais, plantas) são escolhas que envelhecem bem. O diferencial frente a 2020 é que motivos genéricos (balões, estrelinhas) cederam espaço para narrativas mais sofisticadas (constelações reais, ilustrações de autores independentes).

Quarto adolescente: K-pop, polaroids e cores vibrantes

Capítulo 05

O Brasil é o 6º maior país em menções de K-pop no mundo e o 1º da América Latina, segundo a Statista. A comunidade de fãs de BTS (ARMYs) concentra aproximadamente 4,5 milhões de pessoas no país. Esse fenômeno impactou radicalmente a decoração de quartos adolescentes, criando um segmento próprio de demanda.

A estética K-pop em quartos é reconhecível: polaroids afixadas em varais com clipes, pôsteres emoldurados de grupos e artistas, coleções de Funko Pops em nichos, iluminação estilo “finger heart” (referência ao gesto icônico) e arranjo de plantas baixas em prateleiras. A paleta de cores é vibrante e clara: verde-limão, amarelo pastel, azul-claro e branco puro, com contraste forte entre a parede de fundo e os acessórios. Isso contrasta com adolescentes de décadas anteriores, que preferiam tons escuros ou pretos. A cor está diretamente ligada à expressão de fandom e energia positiva.

O design cozy coreano é um segundo veio: madeira clara (pinho, palha, rattan), branco, plantas vivas (pothos, monstera) e luminárias de papel de arroz. Menos sobre celebridade, mais sobre atmosfera aconchegante. Ambos os estilos demandam quadros específicos: primeiro, molduras flutuantes de metal ou madeira clara (não dourada ou prateada pesada); segundo, espaço para rotação de peças (varais, painéis magnéticos), que permite atualização frequente conforme mudam as preferências. Quadros estáticos não funcionam bem para este público.

Quarto de solteiro: o segmento majoritário invisibilizado

Capítulo 06

Apesar de representar 35,1% de todos os dormitórios brasileiros [IBGE Censo 2022], quartos de solteiro são frequentemente negligenciados em análises de decoração. Essa categoria abrange jovens adultos (18 a 35 anos) vivendo sozinhos em apartamentos urbanos, solteiros de qualquer idade em casas familiares, profissionais em mudanças frequentes e casais em segunda residência.

Para uma cama de solteiro padrão (cabeceira de 0,90 a 1,00 m), a regra 2/3 recomenda quadros com 60 a 75 cm de largura. O espaço é limitado: quartos de solteiro em centros urbanos frequentemente medem de 8 a 10 m², exigindo desenho parcimonioso. A tendência de 2026 é o minimalismo funcional com personalidade: uma peça maior (60 a 80 cm) com impacto, em vez de várias pequenas. Cores azul e verde (que promovem o sono [Travelodge, Sleep Foundation]) são seguras; quadros monocromáticos ou com fotografia em preto e branco ganham preferência por versatilidade (permitem trocar outros elementos do quarto sem desatualizar a peça central).

Segmento crescente nessa categoria: inquilinos. O [IBGE Censo 2022] aponta que 1 em cada 5 brasileiros mora em domicílio alugado, e esse percentual é muito maior entre solteiros urbanos. Para esse público, quadros são investimento pessoal portátil — a peça se muda junto com o inquilino. Isso explica a preferência por molduras sem danos à parede e por quadros prontos (não customizados para um espaço específico).

Quem compra: o poder de decisão feminino

Capítulo 07

A composição demográfica dos compradores é tão importante quanto os produtos. Mulheres decidem 70% das compras de decoração no Brasil, segundo levantamento da Giuliana Flores em 2023. Esse percentual é ainda maior em faixas de renda média-alta (80% a 85% de decisão feminina em lares acima de R$ 3.000 por mês).

Um marco histórico ocorreu no Censo IBGE 2022: pela primeira vez, 49% dos domicílios brasileiros têm mulher como pessoa de referência (chefe de família), superando os lares em que essa posição era do homem. Essa mudança estrutural — acumulada gradualmente nas últimas décadas — consolida as mulheres como tomadoras de decisão em design residencial, arquitetura de interiores e compras de móveis. Internacionalmente, a Harvard Business Review, em parceria com estudos de Kleber & Associates, aponta que mulheres influenciam 91% das decisões de compra de imóvel e 94% das decisões em mobiliário e decoração, alinhado com o dado brasileiro.

Segmento específico emergente: millennials e Geração X (nascidas entre 1965 e 1996) comandam 70% das vendas de decoração, segundo a Giuliana Flores em 2023. Essas gerações foram as primeiras a ter acesso massivo à internet (Pinterest, Instagram) para inspiração de design, criando um padrão de comportamento: pesquisa visual online, comparação de estilos e compra omnichannel. O e-commerce é canal natural para esse perfil.

Crianças, embora não sejam tomadoras de decisão formal, exercem influência significativa. Estudo da Propmark aponta que crianças de 6 a 14 anos influenciam 88% das compras eletrônicas das famílias e 70% das decisões sobre refeições, e são protagonistas ativas na decoração do próprio quarto. Isso significa que painéis de adolescente e quartos infantis frequentemente refletem a preferência da criança ou do adolescente, mediada pela aprovação e pelo aporte financeiro da mãe ou responsável.

A janela de ouro pós-mudança: os primeiros 90 dias

Capítulo 08

A mudança residencial é o momento de maior gasto com decoração. Estudo da Porch Group Media (2023, dados dos EUA) estabelece que proprietários novos gastam entre US$ 9.700 e US$ 11.000 em produtos e serviços nos primeiros 180 dias. A National Association of Home Builders (NAHB), em pesquisa Eye on Housing, indicou que compradores de casa nova gastam US$ 3.778 apenas em mobiliário — 5,3 vezes mais do que quem não se mudou no mesmo período.

A distribuição temporal é concentrada: 72% dos novos proprietários realizam gastos significativos (US$ 10.000 a US$ 25.000) no primeiro ano [DBM Group], com pico entre os dias 1 e 90 pós-mudança. O marketing de decoração e móvel é mais eficaz nessa janela porque há urgência (casa vazia, pressão para “terminar logo”) e orçamento psicológico elevado (mudança é investimento, o que amplia a disposição a gastar).

Limitação importante: não há estudo brasileiro equivalente publicado e acessível. Os dados acima refletem padrão americano (renda média mais alta, mercado imobiliário diferente). O Brasil tem ciclo de mudança mais lento em média (mudar-se é caro, famílias tendem a ficar no mesmo imóvel) e gastos concentrados em camadas mais altas. Estimativa prudente seria aplicar os percentuais com desconto de 30% a 40% para a população brasileira de classe média.

Dimensão religiosa: quadros de fé em cabeceiras

Capítulo 09

O Brasil é país majoritariamente religioso: o IBGE Censo 2022 aponta 56,7% de católicos, 26,9% de evangélicos e 9,3% sem religião. Essa composição reflete-se em quartos, particularmente em cabeceiras, onde quadros religiosos ocupam lugar de honra.

A iconografia católica tradicional inclui Sagrado Coração (Jesus com coração flamejante), Nossa Senhora Aparecida, Santa Ceia, Anjo da Guarda e Salmo 23 (tipicamente com parede rochosa e ovelhas). Esses quadros tendem a ser de grande formato (80 a 120 cm), com moldura pesada (madeira escura ou dourada) e linguagem visual consolidada há séculos. São comprados principalmente em capelas, lojas de artigos religiosos e, cada vez mais, no e-commerce.

Evangélicos (26,9% da população) preferem tipografia: versículos bíblicos em design moderno (lettering, caligrafia, fontes geométricas) sobre fundo neutro. A ausência de imagens de santos reflete a teologia protestante. Quadros evangélicos tendem a ser de dimensão média (60 a 90 cm), moldura simples e linguagem visual contemporânea. A paleta de cores é frequentemente monocromática (preto e branco, tons de cinza) ou com cor pastel (azul, verde) — alinhada com a tendência minimalista contemporânea.

O segmento não religioso (9,3%) não compra quadros religiosos, mas convive com um contexto cultural em que quadros de fé são normativos. Essa diversidade religiosa é relevante para o e-commerce: catálogo bem segmentado (católico tradicional, evangélico moderno, secular/neutro) amplia o alcance e reduz a rejeição por desalinhamento estético ou ideológico.

Leia o estudo completo sobre quadros religiosos no Brasil 2026.

O que esses dados significam

Conclusão

O mercado de quadros para quartos no Brasil em 2026 não é monolítico. É fragmentado por tipo de quarto (casal, solteiro, adolescente, infantil), por decisor (mulheres, 70% das escolhas), por contexto habitacional (49% com mulher como chefe) e por oportunidade temporal (janela pós-mudança de 90 dias). Cada segmento tem regras técnicas, escolhas cromáticas e proporções específicas, que não são intercambiáveis.

Quartos de casal demandam precisão proporcional: 100 a 120 cm para Queen, respeito à regra 2/3 e cores que favorecem o sono (azul, verde, bege, conforme Travelodge UK 2013 e Sleep Foundation). Quartos infantis requerem conformidade regulatória com a ABNT NBR 15860, com quadros na parede oposta ao berço, cores neutras não generificadas e móveis evolutivos. Adolescentes são impulsionados pelo fenômeno K-pop (4,5 milhões de ARMYs no Brasil, 6º país no mundo [Statista]), que redefine a paleta (vibrante, clara) e o formato de exibição (varais, painéis mutáveis). Quartos de solteiro, representando 35,1% do mercado [IBGE Censo 2022], são invisibilizados na pesquisa, mas concentram poder de compra por serem frequentemente inquilinos que levam os quadros consigo.

O decisor é predominantemente feminino (70% das compras de decoração [Giuliana Flores 2023]) e mulheres são chefes de família em 49% dos domicílios brasileiros pela primeira vez [IBGE Censo 2022]. Essa mudança estrutural amplia o segmento de personalização, design consciente e conforto emocional — não apenas funcionalidade. A janela pós-mudança de 90 dias concentra oportunidade de marketing, embora dados brasileiros específicos sejam escassos; a padronização americana (72% de gastos acima de US$ 10 mil no primeiro ano [DBM Group]) é aproximação prudente, com desconto para a realidade local.

A religiosidade (56,7% católicos, 26,9% evangélicos [IBGE Censo 2022]) segue tendo presença em quartos, principalmente em cabeceiras, refletindo diversidade de valores e estética. A oportunidade para o e-commerce é ofertar clareza proporcional (tabelas de tamanho por tipo de cama), segurança normativa (explicitar conformidade ABNT para o infantil), segmentação por persona (católico tradicional, evangélico moderno, secular, K-pop, cozy, minimalista) e clareza cromática baseada em evidência científica (referenciar Travelodge e Sleep Foundation, não apenas previsão de tendências).

Em síntese: 2026 é o ano de sofisticação do mercado, em que a decoração de quartos deixa de ser commodity visual para ser decisão informada por proporção, ciência do sono, normas e identidade pessoal. Ofertar quadros adequados a esse novo consumidor exige conhecimento técnico, segmentação clara e honestidade sobre dados — que é exatamente o que este estudo pretende fornecer.

Fontes consultadas

19 fontes públicas

IBGE Agência de Notícias

“Censo 2022: um em cada cinco brasileiros mora em domicílio alugado” (Censo Demográfico 2022 e PNAD Contínua 2024).

agenciadenoticias.ibge.gov.br

IBGE — Censo Demográfico 2022

Distribuição de domicílios por número de cômodos e população por dormitório.

IBGE Censo 2022 — composição religiosa

56,7% católicos, 26,9% evangélicos e 9,3% sem religião.

CNN Brasil, Censo 2022

IBGE Censo 2022 — chefia feminina

Primeira vez: 49% dos domicílios têm mulher como pessoa de referência.

Travelodge UK

“The Secret to a Good Night’s Slumber: Sleep Blue Bedroom” (2013, 2.000 lares).

travelodge.co.uk

Sleep Foundation

“What Color Helps You Sleep?” (Dr. Michael Breus, American Board of Sleep Medicine).

sleepfoundation.org

MDPI (2025)

Estudo correlacionando a luminosidade da cor com experiências emocionais e qualidade de sono.

ABNT NBR 15860

Requisitos para berços infantis domésticos (norma brasileira).

Inmetro

Especificações de segurança para berços: espaçamento entre grades, densidade do colchão, vão lateral, tinta e bordas.

Statista

“K-pop Popularity by Country” — Brasil 6º no mundo e 1º na América Latina.

statista.com

Giuliana Flores (2023)

“70% das vendas de decoração vêm de mulheres millennials e Gen X”.

ABC Agora

Harvard Business Review / Kleber & Associates

Mulheres influenciam 91% das compras imobiliárias e 94% das decisões de mobiliário e decoração.

Propmark

Crianças influenciam 88% das compras de eletrônicos e 70% das decisões sobre refeições, com papel no design do próprio quarto.

Porch Group Media (2023)

Novos proprietários gastam de US$ 9.700 a US$ 11.000 nos primeiros 180 dias em produtos e serviços.

DBM Group

72% dos novos proprietários gastam de US$ 10.000 a US$ 25.000 no primeiro ano.

NAHB Eye on Housing

Compradores de casa nova gastam US$ 3.778 em mobiliário (5,3 vezes mais que quem não se mudou).

Artfully Walls, Rossetti Art, Welsh Design Studio, Three Bears Home Staging e UTR Decorating

Regra 2/3 para quadros: proporção de largura e espaçamento vertical de 6 a 10 cm.

MCMV Fase 3 (política pública, Brasil)

Área mínima de 36 a 39 m² para casa com 2 dormitórios.

Código de Obras (normas municipais, Brasil)

Mínimo de 6 m² por dormitório.

Limitações do estudo

  • O IBGE não publica área média de quartos individualizados por tipo, apenas agregação por número de cômodos.
  • O estudo Travelodge UK (2013) é comercial, não revisado por pares academicamente, e baseado em amostra britânica — a generalização para o Brasil requer cautela.
  • A Statista não publica ranking detalhado de K-pop por país, apenas a estimativa do Brasil como 6º.
  • Não há estudo brasileiro publicado sobre a janela pós-mudança equivalente ao da Porch Group (EUA) — a aplicação de dados americanos é aproximação com margem de erro desconhecida.
  • A pesquisa Propmark sobre influência infantil é de 2014 a 2015, potencialmente desatualizada.
  • HypeAuditor e outras plataformas de análise de redes sociais não publicam relatório específico sobre K-pop no Brasil.
  • Não foi conduzida pesquisa primária com consumidores brasileiros para esta edição — as observações de tendência baseiam-se em análise de mercado secundária.

Sobre este estudo

Quem publica

O Porão dos Quadros é o maior e-commerce de quadros decorativos do Brasil em tráfego, segundo a SimilarWeb (líder em visitas mensais no segmento). Atendemos mais de 1 milhão de acessos por mês ao site e já realizamos mais de 500.000 pedidos desde 2017.

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